"As sombras da sexta são passageiras. O sofrimento não é o objetivo último do mistério da Encarnação. Jesus morreu na cruz porque não poderia voltar atrás, dizer que não curou, dizer que não amou as prostitutas, que lhes perdoou os pecados...
Aqueles que conderam Jesus foram legalistas, não conseguiram interpretar as leis... Fizeram o que a lei mandava.
Quando penso no sacrifício da sexta eu só o posso entender a partir das alegrias do domingo.
Não há significado no sofrimento senão na relação com a redenção que ele nos traz. Sofrimento por ele mesmo não serve pra nada, é masoquismo.
Sofrimento na perpectiva da superação dos limites é sabedoria.
O poeta nos ajuda a entender isso quando ele nos diz: "A paixão do momento não vale o inferno de uma vida inteira"
Ele tem razão. Nem sempre o sacrifício é fácil. Tememos a dor que ele nos trará. E então passamos a preferir as dores homeopáticas, aquelas que chegam em pequenas partes, e por issoque doem a vida inteira, justamente porque não tivemos a coragem do sacrifício daquela hora.
Terminar um relacionamento que nos escraviza, dizer não à droga que nos entorpece, pedir perdão, reconhecer que erramos... Tudo isso são dores momentâneas que costumamos evitar.
Com isso, o calvário se estende no tempo, e nossa vida se torna uma eterna sexta feira da paixão.
Tudo é uma questão de escolha. Quem não tem coragem de viver o sacrifício do momento não poderá colher a alegria que se estende pela vida inteira.
Desejo que o sacrifício de Jesus lhe revele mais que um dolorismo sem sentido.
Boa páscoa pra você! E que o calvário seja enxergado sempre à luz do sepulcro vazio. Ele fica mais bonito, menos tenebroso..." (Pe. Fábio de Melo)
Pai, neste dia eu te peço com todas as forças: Pela sua dolorosa Paixão, tende Misericórdia de nós e do mundo inteiro!




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